domingo, 19 de novembro de 2017

beijo


O descaminho da tua boca
encontra direção
de encontro à minha.

Nossas fronteiras,
alinham-se 
no beijo suspenso
pela vontade,
fundem-se
por entre lábios sequiosos
e línguas húmidas.

São os traços,
com que me tatuas,
meu amor,
esses beijos desvairados,
sem lei nem ordem,
perfeitos
no toque,
na intensidade,
no querer mais
outras marcas.


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Doce



Ah!
Quando o Doce aflora 
em tua boca
e tu mo chamas
como se fora 
meu nome.

Acho-me e perco-me
nessa vertigem
de tanto me quereres
como se te fosse
um Doce.



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

fatias de pessoas



Inteiras são as pessoas
com várias vidas,
fatias e fases,

feitas
e temperadas a tempo.

Desarranjadas em corpo só seu
de emoções espalhadas
ao vento,
de sentires e gostos
submersos
na tona das marés.

Remendam-se pedaços
no cenário do todo,
onde cada um é uno
na diversidade
e parecença
da humanidade.

Seres construídos
em histórias,
lembranças,
e fragilidades
que nos partem
na unidade,
coesão própria das pessoas em fatias.


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Mordida



Saltito sobre forças,
 indomaveis,
de te apertar,
de te ter,
em minha essência,
deixando-me escorrer
nos teus lábios,
pela ternura suave
de te sentir em mim.

Apeteces-me,
 em pedaços,
mordido em minha boca,
salivando em antecipação,
agarrando em minhas mãos
o prazer,
de me ser,
em intensidades sem medidas,
com ganas de te beijar,
furiosa
na eternidade 
da pele apertada,
vincada
por carícias descompostas

São inconveniências,
supostos nascidos,
de atentados
ao desejo
desventrado
em minha língua
desnorteada,
alma de vida própria
nesta busca de ti.

Viajo em velocidades
enlouquecidas,
perdidas em apeadeiros calmos
onde o teu olhar me espera
porque meu querer
te quer abocanhar
em totalidades
fragmentadas
numa mordida aqui,
noutra acolá




quinta-feira, 12 de outubro de 2017

dor difusa


Na dor que não sangra
não há cura
ou olhar doente.

Permanece aquele sentir
de não querer mais,
saltar o muro
e deixar os campos pisados, 
calcorreados,
 no calcanhar da escolha.

Na ferida por suturar
não há tempo 
ou febre 
para acalmar.

Quedo-se no instante
que se quer eternizar,
contradição da vida
por onde as dores
têm de sangrar,
 as feridas carecem de sutura
em caminho
e descaminho
com muros de dor.

sábado, 7 de outubro de 2017

Geografia



Arrepio-me no 
gelo
de meus próprios pensares.
Cerco-me duma brancura
sem calor
onde a luz persiste,
em se refletir,
em acordar-me
desabrochando minhas cores,
meu viço,
meu ardor.

Sou meu próprio pólo,
extremo que dói
em fragilidade
dessa busca sequiosa
de me encalorar
na tua floresta húmida
mais a Sul, 
noutros meridianos.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Navegando



Que faço eu
a este sentir?
A estas mãos
com fome de ti?

Que faço eu?

Navego neste livro
meio escrito,
muitos mais
por desfolhar,
vontades sublinhadas
com a ternura
do teu olhar,
de teu corpo
em ânsias pelo meu.


Que faço eu,
 meu amor, 
a tanta saudade tua?


sábado, 26 de agosto de 2017

anúncio primeiro


anuncio a primavera,
nem a primeira nem a última,
tão somente a primavera.

proclamo a serenidade
do morno pelas manhãs,
a tranquilidade do desabrochar,
o permitir ser-se em
autenticidade.

afago o começo
na delicadeza
pura
do sentir
a aragem da madrugada
em inocências próprias
de anúncios primeiros
como o da inviolável
primavera.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

promessas



fazes juras de amor
como quem oferece uma flor,
promessas perfumadas
por entre pétalas
cor de rosa.

sussurras brisa
de outro mar,
palavras de outras cores,
horizontes sem fim
e eu acredito.

Oh! Vã ilusão!

em pedaços recebo a rosa
aromas e cores prometidas.

mares e oceanos se esvaziaram,
palavras ecoaram no vazio
daquela fronteira
onde o coração despe a fantasia.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

com fome, com penas...


São fomes,
apetites sem Deus,
por onde me quero saciar.
São voos
de asas brancas,
imaculados
como a gula
que me consome.
São desejos
forjados na escassez do branco,
nas profundezas de mim
por onde
a vontade
é tanta,
vasta,
como o banquete
com que sonho
para lá das nuvens,
para lá de mim.

terça-feira, 11 de julho de 2017

semeio



Semeio, 
as heranças
do Sol e da Lua,
de letras,
que existiam antes de mim
em páginas brancas
seduzidas
pela passagem do tempo.

Solto,
por entre dedos,
coisas minhas,
escolhidas
sem saber como,
sementes legadas
de outros,
do mundo
e,
com elas,
escrevo minha vida,
história
de páginas
nem sempre legíveis.

Semeio-me em cada instante,
nasço e recomeço
nas linhas
e entrelinhas
do que sinto,
do que escrevo
com a pena do coração.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

no limite



lá fora 
sopra uma brisa
paciente
como a esperar por mim,
chama-me
em sussurro
de desafio,
sem promessa
ou contrato por assinar.

está lá,
existe,
para além 
do que sou,
para além 
do que sinto.

chama-me
o desconhecido,
diz meu nome
sem pressas
porque
sabe de meu vazio
de eu estar aqui
na busca incerta
de outros ares,
de outro mundo,
de outros 'eus'.


quinta-feira, 22 de junho de 2017

(des)caminho


Deixa-me curvar
nesses caminhos
que são teus limites,
desculpas no teu seio,
regaço só meu.

Permite-me desbravar
esse jardim
desabrochado no desejo
a perder de vista
pois se me cegas
com tua pele
colada à minha.

Desculpa-me o rasgo
que te abro e fecho
em ritmo só nosso,
descaminho perfumado
em sinuosidades perfumadas
aqui e ali.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Que te posso eu dar?

Que te posso eu dar?

Apenas uma mão cheia de mim,
vida de raízes sem chão,
terra onde me semeio,
floresço
e desvaneço.


Somente uma caricia de saudade,
de outros tempos
por onde ervas 
se derramaram,
ocultando as pétalas
que te perfumaram
em minhas mãos.

Que te posso eu dar?

Tão só uma insanidade
de te querer,
vontade de matar minha
sede de ti
nesta espera muda
do teu toque,
do teu beijo,
qual seiva
correndo no meu corpo
em ânsias de saciar o teu.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

casa fechada


Veio o vento 
e soprou
tempo 
em casa
que não era minha,
teceu
fios de saudade,
embaraços,
que me toldam o olhar
porque tu
já não moras aqui.

Chegou a madrugada
e acordou
outro dia,
outra história,
outra fechadura
de chave própria
onde eu
já não tenho morada.

domingo, 28 de maio de 2017

Quando



Quando tu me apertas
com teu querer
toda eu sou pele,
esqueço-me de respirar
dissolvo-me no gemido quente.
de teu corpo,
chamando-me ainda mais
como se as mãos,
o abraço 
fossem pouco.

Quando me procuras
e eu já estou em ti
permito deixar de me ser
dissolvendo diferenças
em elevação de um todo
onde eu e tu 
sobramos em prazer
fazendo vida
na agitação doce
de mares sem praia,
de barcos sem bandeira.

Quando tu me beijas
sem decência
toda eu sou capricho,
desalinho completo
sem inicio ou fim
apenas
o instante da eternidade
do desejo sem freio,
de amor
para lá do carnal.

Quando me sussurras
tuas vontades
já as havia lido 
no teu olhar,
sentido em minha essência,
pois se somos
a plenitude de
nós dois,
apetite saciado
em harmonia
de ganas e abundância
de ti,
de mim,
de nós.


terça-feira, 23 de maio de 2017

em e com 'maio'


Ofereceste-me um jardim,
eu só queria uma flor,
um raio de sol
do verão imenso
que é teu calor.

Deixa-me o pequenino,
o amarelo das pétalas
húmidas
pelo orvalho da manhã,
a tua pele nua
e salgada 
depois de seres meu
e eu
sem noção de quem sou.

Deixa-me o teu perfume
por entre primaveras
com mãos pequenas
onde o despercebido 
basta
ao ser tudo.



terça-feira, 16 de maio de 2017

soltando-me


Aqui,
neste final de tarde,
escoam-se os últimos raios de sol,
escorrem estrelas
no horizonte
para lá  do olhar.

E é neste lusco-fusco
que se destapam
as vontades  sem dono,
os desejos alados.

Agora é o tempo
de soltar ternuras
e  amores proibidos,
deixá-los voar
com a aragem do sol por,
respirar
e deixar-me ser.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Na procura

Não me procures em meus pensamentos,
tampouco em minha roupa,
e ainda menos em sonhos 
adornados das minhas vontades.

Não me chames pelo nome,
pelo eco da minha passagem
ou por mim.


Pois não  sabes
que habito no teu âmago (?)
vagueio em teus poros
acariciando-te a pele
em beijos húmidos
que soltas na respiração (?)

Desperta, 
amor meu,
atenta-te ao sopro
que te arrepia,
às miragens do adormecer,
à luz que te arranca das sombras.

Sou eu,
a que mais te quer,
mesmo assim..

Gritas-me e
desconheces-me
quando 
eu
estou,
apenas,
em ti.

sábado, 13 de maio de 2017

Sou-me


Sou-me no amarelo do Sol,
no cinzento da estrada,
na terra castanha
que me alimenta.

Sou-me cor
em mundo desbotado,
no limiar de cinzentos escondidos,
tropeços
que me fazem sangrar
como pétalas caídas.

Sou-me sozinha,
em trilho meu,
buscando a luz,
persistindo em dúvidas
e crenças da possibilidade de tudo,
até de mim.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

No 28


A preto e branco,
ou talvez,
no reflexo de cinzentos
viajo no 28
cerrando os olhos,
balançando nos carris,
sem desvio,
por onde é suposto ir.

São-me viagens obliteradas
na pele estendida
ao sol 
e à chuva 
do tempo.

O 28, 
na sua Lisboa,
é pedaço de mim,
de cores  e sensações
presentes,
tatuagem linda.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

mundo meu



Em meu mundo
cabem desejos por inventar,
quereres de um sopro só,
fronteiras sem linha,
limites a serem superados.

Nele estás tu,
amor meu,
povoando minhas planícies,
banhando-te em meus rios,
navegando em oceanos de mim.

És a vastidão do sentir,
a chuva de olhares
em horizontes
para lá das cores
e tons com cheiro a longe.


Em meu mundo
sou-me entre toques,
corpos
e pele
onde o tudo
és tu
em eternidades
e excessos a que me permito
e atrevo.

terça-feira, 18 de abril de 2017

escondendo-me


coube numa caixa escura
o meu medo,
a minha alma
cortada pelas nesgas de luz
insistentes no chamamento
de outro eu.

confinei-me em espaço escasso,
pequenez definida,
no receio de outras dimensões,
da vastidão do mundo,
de flores por desabrochar
e mares por navegar.

Sabotei vontades,
quereres, desejos
e sonhos
sabendo da minha dor,
perdida algures por aí,
em mim, talvez.

domingo, 2 de abril de 2017

cristalinas


Bastam-me invernos e frios,
ventos e chuvas,
cinzentos e sombras.

Que venham azuis,
brancos e outras mais.

Quero Luz!
Quero Sol!

Cobiçam-me águas cristalinas,
puras,
límpidas no brilho
de tempos mornos
desapressados
no momento único
do instante,
já,
agora.

sábado, 1 de abril de 2017

Desjejum


Apetece-me barrar-te
de cima a baixo,
por todos os lados,
como torrada de amor.

A noite foi longa,
vazia de ti,
horas onde se forjaram
fomes e apetites 
por entre sonhos e lençóis.

Desperto no desjejum
de te abocanhar,
trincar,
 sem tréguas ou dietas
onde saboreio cada migalha tua
em satisfação
de resgatar o gozo
na quietação da carência.

Lambuzo manteigas,
doces,
 e não sei que mais.
pela manhã,
na alvorada
do teu coração.